17 de jun de 2010

Confissão

esperando pela morte
como um gato
que vai pular
na cama
sinto muita pena de
minha mulher
ela vai ver este
corpo
rijo e
branco
vai sacudi-lo talvez
sacudi-lo de novo:
"Hank!"
e Hank não vai responder
não é minha morte que me
preocupa, é minha mulher
deixada sozinha com este monte
de coisa
nenhuma.
no entanto
eu quero que ela
saiba
que dormir todas as noites
a seu lado
e mesmo as
discussões mais banais
eram coisas
realmente esplêndidas
e as palavras
difíceis
que sempre tive medo de
dizer
podem agora ser ditas:
eu te
amo

Charles Bukowski

5 comentários:

Carlos Gonçalves disse...

Cláudia, nunca tenhas medo de dizer os teus sentimentos, nunca tenhas medo de dizer: 'amo-te!'
Beijo, querida.
Carlos

nas entrelínguas disse...

Bela confissão! também confessei algo nas entrelínguas... 'sintaXe' à vontade por lá!
Abraço!

nas entrelínguas disse...

Bela confissão! também confessei algo nas entrelínguas... 'sintaXe' à vontade por lá!
Abraço!

Endim Mawess disse...

UM EU TE AMO TARDE.

Aninha disse...

Tarde sim...
Mas expressou ali um sentimento forte, explosivo até... mas como AMOR? Se deixou a amada só?